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Alagoas investe na restauração de corais em municípios do litoral

  • 19 de fev.
  • 3 min de leitura

Alagoas avançou na estratégia de preservação dos recifes marinhos com a consolidação do Projeto Corais de Alagoas, iniciativa que monitora e restaura áreas em Maragogi, Maceió, Marechal Deodoro e Paripueira. A ação, que já iniciou a fase de cultivo e replantio de colônias saudáveis, busca ampliar a cobertura de corais vivos e garantir a sustentabilidade ambiental de um dos principais ativos econômicos do estado: o litoral.


Imagens: Lucas Meneses/Movimento Econômico
Imagens: Lucas Meneses/Movimento Econômico

O projeto é desenvolvido há cerca de um ano em parceria entre a Secretaria de Estado do Turismo (Setur) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e articulação com órgãos como a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e o Instituto do Meio Ambiente (IMA).


Os primeiros passos envolveram a estruturação de um laboratório de mergulho responsável pelo mapeamento e monitoramento da saúde dos recifes nas quatro cidades contempladas. A partir desse diagnóstico, o projeto avançou para a fase de restauração ativa, com a reprodução de colônias saudáveis de corais em viveiros submersos.



Na piscina natural da praia de Pajuçara, em Maceió, já foram instaladas duas mesas de berçários no fundo do mar. Segundo o professor-doutor Robson Santos, responsável técnico pela iniciativa, os primeiros fragmentos já apresentam crescimento monitorado pela equipe. “Os corais cultivados passam por acompanhamento contínuo para avaliação da saúde e do desenvolvimento. O objetivo é identificar o momento adequado para o replantio em áreas degradadas”, explicou.


Além de recuperar áreas degradadas, o projeto atua na geração de dados técnicos que podem subsidiar políticas públicas ambientais e decisões relacionadas ao ordenamento turístico. Ecossistemas vitais para a biodiversidade marinha, os recifes de coral são responsáveis por abrigar cerca de 25% das espécies oceânicas e exercem papel estratégico na proteção da linha de costa, reduzindo o impacto de ondas e processos erosivos.


A secretária de Estado do Turismo, Bárbara Braga, destacou que a iniciativa alia preservação ambiental e desenvolvimento econômico. “O mar em Alagoas gera emprego e renda por meio da pesca e do turismo. Garantir a saúde dos recifes é assegurar a continuidade dessas atividades para as próximas gerações”, afirmou. Segundo ela, a restauração contribui para manter a atratividade do litoral, ao mesmo tempo em que fortalece práticas de turismo sustentável.


Retirada de corais é crime e reforça urgência da preservação

O avanço do projeto ocorre em um contexto de alerta sobre a degradação dos recifes. Recentemente, a Polícia Federal apreendeu cerca de 10 quilos de corais que estavam sendo transportados por turistas no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió. O material foi encaminhado ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) para abertura de processos administrativos e aplicação de multas.


De acordo com o IMA, a retirada ou exportação de corais sem autorização é crime ambiental e pode gerar multas que variam de R$ 50 a R$ 50 milhões, dependendo da quantidade e da área afetada. O coordenador de Gerenciamento Costeiro do órgão, Ricardo César, ressalta que há espécies que crescem menos de um centímetro por ano, o que torna a recuperação natural extremamente lenta.


“Existem espécies de corais que crescem menos de 1cm por ano, então quando se retira um volume considerável, demora décadas e décadas para que esse recife se recupere. Nesse sentido, a necessidade de preservação desse ecossistema é urgente”, advertiu.

Além do impacto direto sobre a biodiversidade, a retirada indevida desses organismos compromete a proteção da faixa costeira e pode intensificar processos erosivos, fenômeno agravado pelas mudanças climáticas.


Fonte: Vanessa Siqueira/Movimento Econômico

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