Natureza, história, adrenalina: nove roteiros pelo charme do Seridó
- Renato Moraes

- 30 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Se você está passando ou vai passar uns dias aqui no Rio Grande do Norte e busca uma alternativa para fugir do conhecido circuito sol-e-mar, e, de quebra, estimular a adrenalina no contato com a natureza, anote aí uns roteiros no Seridó potiguar. Afinal, o Seridó é um estado de espírito, como diz o poeta Janduhi Medeiros. Só o Geoparque Seridó tem 20 geossítios abertos à visitação. Mas lembre-se: para visitá-los, é necessário contratar um(a) guia ou condutor(a).
A primeira parada é na Pedra do Chapéu, em Acari. Inserida no Geoparque Seridó, é uma formação rochosa localizada na Serra do Major, conhecida por suas trilhas e paisagens de tirar o fôlego. A serra também abriga a Pedra do Mapa, formação rochosa que lembra o contorno do estado do RN. Confira as belíssimas imagens do local, registradas por Ana Marina, do perfil @existopelocaminho,
"Acari vem do tupi caraí – que arranha – ou guacari, também chamado de cascudo. A cidade, que ganhou fama por ter sido considerada a mais limpa do Brasil, fica a 210 km de Natal. É também conhecida por estar incluída no Roteiro das Águas, devido ao açude, denominado Barragem Marechal Dutra, um dos símbolos da convivência do homem do interior com a seca". (ouça o podcast).
Continuamos em Acari. Do pé ao pico da Serra do Minador são 3km de uma subida tranquila de 474 metros, iniciada na estrada de acesso ao Açude Gargalheiras. A recompensa pode ser uma briga refrescante na sombra da Pedra do Bico da Arara que, pela sua forma, como sugere o nome, lembra o bico da ave.

Mas tem opção para todo gosto. Quer ter uma visão panorâmica da região, incluindo o majestoso Açude Gargalheiras? A dica é desbravar a Serra das Cruzes, uma subida de 2 km (ida e volta), mas aqui é para quem já tem experiência e/ou muita disposição. O trajeto é considerado difícil pelos trilheiros, pois alterna trechos de caminhada sobre rocha e subidas com batentes de ferro.

Ainda no Geoparque Seridó, mas agora no município de Currais Novos, a cerca de 10 km do centro da cidade, abre-se o famoso Cânion dos Apertados. Segundo o Cadastro de Sítios Geológicos (Geossit), o cânion ocorre ao longo do Rio Picuí, com rochas quartzíticas espalhadas no leito e bordas do curso d´água.

“O cânion (ou canyon), conhecido no sertão nordestino, como boqueirão ou garganta, geralmente não é representado nos livros didáticos de Geografia em função da sua pequena dimensão. No entanto, no contexto das grandes unidades do relevo brasileiro, o cânion permite compreender o trabalho erosivo dos rios em escala de maior detalhe e, no caso da principal unidade de relevo do Semiárido Brasileiro, a Depressão Sertaneja e do São Francisco, evidencia a influência da geologia e de climas pretéritos na formação das paisagens sertanejas, em especial, a partir das águas do rio Picuí sobre o quartzito no sertão do Seridó potiguar”. (William Morris Davis - Revista de Geomorfologia)
Estamos agora no município de Parelhas, a 245 km de Natal. Uma das atrações por aqui é o Pico do Totoró, que se eleva a 800 metros para mostrar uma paisagem de tirar o fôlego da região. Vários vestígios – de pinturas rupestres de cenas cotidianas e rituais a artefatos – evidenciam a presença de povos originários antes da colonização portuguesa.

Uma lenda conhecida na região dá conta de que existe um tesouro enterrado por lá por antigos exploradores, até hoje não encontrado. Ainda segundo a lenda, muita gente se aventurou por lá, mas desistiram diante de eventos cercados por mistérios relacionados a visões e supostos espíritos.
O Mirante do Cruzeiro, em Cerro Corá, é outro ponto de contemplação da paisagem que inclui a cidade, o açude Elói de Souza e a majestosa Serra de Santana. A trilha é curta (cerca de 300 metros) e de fácil acesso. Ideal para ver o pôr do sol, o local é marcado com um cruzeiro, capela e um marco do Geoparque Seridó.

Também na chamada Suíca do RN, devido ao clima agradável, outro roteiro indispensável é uma visita à nascente do Rio Potengi, o “rio de camarão”, em tupi, ou Rio Grande dos portugueses, que deu origem ao nome do estado e corre 176 km em direção ao mar.

Outra dica na região é um mergulho na história do Castelo de Bivar, em Carnaúba dos Dantas, a 220 km de Natal, cidade famosa também pela renda. Erguida por volta de 1984, a obra se encontra inacabada até hoje. O nome é uma homenagem ao filme El Cid. Após assistir ao filme, o proprietário José Ronilson Dantas se sentiu atraído pelo estilo medieval, o que resultou na construção do castelo, com estilo renascentista francês.

Ainda em Carnaúba dos Dantas, do alto de um serrote com cerca de 450 metros acima do nível do mar, no Planalto da Borborema, reina o Monte do Galo. É um destino de peregrinação com capela, cruzeiro, as estações de Cristo e sala dos ex-votos, grutas com imagens de Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora da Conceição, com pico de visitas nas romarias de Nossa Senhora das Vitórias.

O nome também vem de uma lenda. Consta que no início do século XIX, vaqueiros que passavam pela região ouviam um som misterioso, semelhante ao cantar de um galo. Não demorou para que este fenômeno fosse considerado sagrado, e a devoção aumentou com uma suposta história de um homem que teria saltado do alto do monte e chegado ao chão sem nenhum arranhão. A tradição religiosa foi consolidada com a chegada da imagem de Nossa Senhora das Vitórias, trazida por Pedro Alberto Dantas, filho ilustre da cidade. Conta-se que, doente e temendo pela própria vida, ele teve uma visão de uma santa com um manto azul que o curou, pedindo-lhe que levasse a imagem para sua terra natal. Assim, Pedro a levou para Carnaúba dos Dantas e, depois, foi colocada no Monte do Galo, marcando o início de uma devoção que perdura até hoje.
Nosso último roteiro no Geoparque Seridó é o Tanque dos Poscianos, outro mirante natural, localizado no município de Lagoa Nova, a cerca de 170 km da capital. Para chegar ao local, a trilha é de fácil acesso, com entrada a cerca de 10 km do centro da cidade. A partir do Tanque dos Poscianos, tem-se uma vista panorâmica para toda a região sul do Geoparque Seridó.






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